ENTREVISTA COM A BANDA MARIA DO RELENTO:
“No palco o que reina é a descontração”
A banda Maria do Relento foi a entrevistada da vez pelo site do Pijama Show. Tudo sobre as influências da banda, melhores momentos, curiosidades e muito mais...
Por: Ricardo Freddo
Imagens: Ricardo Freddo
Edição: Djatlantyc
(Ricardo
Celso)
Ricardo: Quais são as influências da Maria do Relento?
Diogo: São várias, cada um da banda tem uma influência diferente, mas no final todas são parecidas, por exemplo, todos gostam de The Beatles, isso é uma coisa em comum. Tem a ala mais pesada que gosta de Black Sabbath, eu gosto muito do Ozzi, Red Hot Chilli Pepers, U2, Nirvana. Tem as influências nacionais, o rock nacional dos anos 80, a gente também gosta muito do Silvo Santos, Roberto Carlos também é uma influência, umas coisas um pouco brega.
Ricardo: É uma mistura de rock com brega....
Diogo: É, eu no palco sou brega, e no início da banda era muito mais brega.
Ricardo: Quais são as inspirações na hora de compor as músicas?
Diogo: Bastante vezes quando a gente faz composição, nós costumamos a marcar encontro com a galera em trio, em dupla, é muito difícil alguém fazer uma música sozinho, a gente gosta de produzir em uma galera. Nas inspirações a gente costuma contar histórias verídicas, ou ficções do dia-a-dia das pessoas, e que acontece com todo mundo, nisso a gente tenta contar histórias, as vezes verídicas.
Ricardo: Todos os integrantes da banda compõem?
Diogo: Todos. Eu e o Ricardo produzimos bem, também com o caco, mas no geral todos tem que dar um aval para a música ser aprovada.
Ricardo: Que mensagem vocês querem passar par o público que ouve a Maria do relento?
Diogo: No início a gente não passava muita mensagem, a gente era muito guri novo, era mais por diversão, hoje em dia a gente está mais maduro, com doze anos de banda sempre tentamos passar alguma coisa legal, bacana, mas nada político. Não sou O Rappa, Charles Brow, negócios de política e social a gente não traz para o lado da Maria, mas no palco o que reina é a descontração e a brincadeira. A gente sempre tenta passar isso, é um lance divertido para a galera, passar seu dia bem e viver sua vida legal.
Ricardo: Como surgiu o nome Maria do Relento?
Diogo: Essa já uma história de doze anos, mas vou resumir um pouco. Uma senhora que morava numa casa bem humilde, criava todos os cachorros de rua, viveu anos assim, até que um dia ela faleceu, o corpo chegou entrar em decomposição, porque ela tinha contato só com os cachorros, quando os bombeiros foram avisados do mau cheiro e etc... foram retirar o corpo, mas não conseguiam, porque os cachorros não deixavam. Essa história que o pessoal do nosso bairro contava, e quando a gente criou a banda, decidimos optar o nome, fizemos uma homenagem a ela, é uma lenda.
Ricardo: O último disco da banda “Terapia Kamikaze” tem um estilo parecido com o disco “Operação Tocaia”. Como que vocês decidem o segmento do disco?
Diogo: Acho que a parte da composição do disco vária muito com o que nós estamos ouvindo no momento, todo momento na vida de uma pessoa, principalmente do músico, ele passa para o trabalho que está fazendo, se estiver passando por um momento de trauma, feliz ou triste, vai acabar passando esse sentimento. A gente não determina como vai ser o estilo, é o que começar aparecer e for legal, que a galera goste, mas tem que ser um som atual. Agora se for mais pop, menos pop, pesado, isso vai ser de acordo com o que vai saindo de música, se começar a sair música Hard Core e a gente gostar, vai ser Hard Core, é mais ou menos assim.
Ricardo: O legal é que toda a banda esta ciente disso...
Diogo: Sim, a gente está sempre antenado, por exemplo, o U2, olha a quanto tempo existe o U2, e é uma das maiores bandas do mundo até hoje, o show deles é um espetáculo e super atual, os caras com 40 anos fazendo som de gurizada de 16 anos. Isso mostra que rock não tem idade, se tiver antenado no que esta fazendo, sempre faz um som atual.
Ricardo: Que visão vocês tem do Rock Gaúcho e nacional nos dias de hoje?
Diogo: O Rock Gaúcho passa por faces, teve uma face que apareceu Os Cascaveletes, o TNT, Nenhum de Nós, Engenheiros do Hawaii. Depois teve uma face que não teve muita coisa nova aparecendo. No ano de 1994, veio o Maria do Relento, Ultramen, Comunidade Nin Jitsu, Tequila Baby, Acústicos e Válvulados, foi uma nova face. Agora estão vindo bandas novas, tipo, Fresno, Drive, Reação em Cadeia, tem uma série de bandas bacanas, as que
conseguem um bom público elas vão ficando. Atualmente o Rock perdeu um pouco, nacionalmente, teve o momento dos Raimundos que foi legal, mas agora entrou a Pitty, e cresceu muito com, Detonautas e CPM 22. Eu acho que falando originalmente do Rock ele perdeu um pouco, mas se mantém. O Rock continua, enquanto vão aparecendo ondas populares, tipo, Funk, mas são coisas que estouram e depois desaparecem, enquanto o Rock vai mantendo um padrão, não tem muitos picos, mas é um nível legal.
Ricardo: Nos doze anos de Maria o Relento, quais foram os momentos mais marcantes, que vocês lembram até hoje?
Diogo: Muita coisa legal, conhecer pessoas importantes que você só vê pela televisão, isso são coisas que a banda nos ofereceu, conhecer a Xuxa, fazer o programa do Jô Soares, tocar no primeiro Planeta Atlântida, foi sensacional, e outros festivais que fizemos para 30, 40 mil pessoas, que a gente fez em doze anos. Isso é uma coisa bacana que a banda deixa para gente, poder passar por inúmeras histórias engraçadas, dizem que “uma boa história não tem dinheiro que paga”.
Ricardo: Como é a banda Maria do Relento fora dos palcos?
Diogo: A galera é light, nós somos muito amigos, nesses anos todos a gente teve a formação, que todo mundo pensa igual e gosta das mesmas coisas. Quando a gente não esta tocando, nos estamos um na casa do outro fazendo um rango, ou fazendo projetos, jogando um vídeo game, ou em viagens, estamos sempre fazendo alguma coisa juntos. O Ricardo também trabalha com contabilidade, o Kako vendo shows de outras bandas, temos outros projetos paralelos, uma série de coisas que a gente faz.
Ricardo: Quais são os planos para o futuro da Maria do Relento?