ENTREVISTA COM EVANDRO MOAH:

“É um desafio fazer o que gosta”

 

O site Pijama Show entrevistou um músico que é uma grande aposta para o pop rock Gaúcho. Evandro Moah, irmão do Serginho Moah (Ministro das Forças Armadas da terça do Ministério), falou sobre seu estilo de música, planos e muito mais...

Por: Ricardo Freddo
Imagens: Ricardo Freddo
Edição:
Djatlantyc
(Ricardo Celso)

 

Ricardo: Como começou a sua carreira e quais foram as suas influências?
Evandro: As minhas influências são basicamente de música brasileira, naturalmente por ser negro eu tenho uma queda pelo suwig, por ser da raça eu já venho de uma natureza do suwig e do rock and roll, porque a natureza do rock and roll é negra. Desde então eu me vi sendo músico e trabalhando na noite de Uruguaiana, segui para Porto Alegre fazendo Gingol e chegando numa cena conturbada em termos de Gingol publicitário, pois já não era como antes, mas eu cheguei, me situei e consegui sobreviver, fomos formatando uma banda e tocando na noite. Estou ai batalhando e sobrevivendo basicamente de música, do que eu gosto de fazer, graças a Deus.

Ricardo: Viver de música é um desafio...
Evandro: É um desafio, sempre é um desafio você fazer o que gosta, eu acredito que 60% das pessoas do mundo não fazem o que gostam, se você for perguntar para um executivo o que ele gostaria de ser? Ele poderia responder que gostaria de ser músico. Eu faço o que gosto vivo disso e sou muito feliz com isso, viver gostando das coisas que você está fazendo é a melhor coisa do mundo.

Ricardo: Qual a importância que o público do Sul tem para o começo de uma carreira e nas criações musicais?
Evandro: O público Gaúcho é essencial, porque é um público que aceita, acredito que o público Gaúcho seja o público mais aberto do mundo. As bandas Gaúchas são poucas as que conseguem ter o seu nome conhecido para resto do País, no entanto, são tantas as bandas que vem de fora que nós Gaúchos aceitamos, essa é a questão, o porque que existe essa “?” com os Gaúchos. A Cachorro Grande abriu um legue agora e outras tantas bandas, existiram bandas que foram no cenário nacional, mas quase nenhuma permaneceu, exceto os Engenheiros do Hawaii. Resumindo, o público Gaúcho tem um coração gigante, é um público maravilhoso, eles sempre colocaram as bandas Gaúchas como fonte deles mesmos e continue sendo assim.

Ricardo: O seu irmão do Serginho Moah vocalista do Papas da Língua foi um motivo de influência para você começar a carreira musical?
Evandro: O Moah é uma grande influência para mim e acredito que hoje seja um top de referência para muitos músicos, e não seria diferente comigo, ele é um exemplo musical, porque é um cara que tem uma virtude musical. Resumindo, é realmente um ponto de referência, não exagerando ele é um top do Sul, é um grande músico do Sul e só tenho a me espelhar nele.

Ricardo: Como foi ter participado do show do Papas da Língua no Planeta Atlântida 2006?
Evandro: Essa participação surgiu em função da minha composição “Viajar” juntamente com Moah, essa música foi crescendo e se transformou, hoje no hits é a música que mais teve versões. Essa música é uma música que cresceu, e acabou gerando uma participação minha no Planeta Atlântida, foi maravilhoso.

Ricardo: A TVCOM fez uma eleição em que a música “Viajar” foi escolhida como a melhor do show do Papas...
Evandro: É, o público que estava assistindo o Planeta elegeu a melhor música, havia a votação e essa foi escolhida a melhor música. Para você ver que essa música funcionou, com uma temática simples, mas objetiva.

Ricardo: Como é o teu relacionamento com outros músicos?
Evandro: Cara, eu conheço muitos músicos, eu não sou um Jazzista, eu conheço muitos jazzistas, inclusive a banda Dona Lee ela era formada por jazzistas. Eu tenho o meu relacionamento com muitos músicos, gente da noite que toca na noite. A gente sempre está ai, batalhando, vivendo histórias, enfim, sabendo que a coisa não é fácil no mundo da música, nós vemos muita galera batalhando no mundo da música e paralelo a isso nós também estamos no mesmo barco, querendo que o público esteja aberto a coisas novas. O fato que tem que ser colocado é que as pessoas estejam abertas a coisas novas, não que as pessoas estejam fartas de nomes, mas sempre tem que estar com o legue aberto, tem que ter a cabeça sempre aberta, ouvir o que é novo e uma banda nova. Eu acho que isso é o essencial, para que possa dar chances para pessoas como nós, como eu que estou querendo mostrar o meu trabalho e tantas outras pessoas, tem que abrir uma porta, eu voto sempre para isso, é uma democracia musical.

Ricardo: Você fez parte da banda Dona Lee?
Evandro: Eu fui convidado para tocar na Dona Lee à uns quatro anos atrás, é uma banda maravilhosa, Ricardo no baixo, Paulinho Fagundes Guitarra e Marquinhos que é um dos melhores alunos do Kiko Freitas, um expoente saído do Sul, um dos melhores bateristas do mundo. Ricardo, um cara que toca com Ivan Lins e João Bosco, morou e estudou dez anos na Alemanha. Paulinho Fagundes um dos melhores guitarristas do mundo, que morou um tempo na Europa e fez muitos shows. A Banda Lee, é uma banda que veio de uma proposta bacana de pop jazz, mas foi uma banda que não acreditou, nós compomos, e algumas dessas composições eu estou trazendo para o meu CD solo.

Ricardo: Quais são os planos para o futuro? E o que o público pode esperar?
Evandro: Eu acredito que no começo de 2007 vamos estar laçando um CD do Evandro Moah e banda ou só Evandro Moah. Realmente a gente está esperando isso, de poder fazer música e trabalho próprio, é muito legal fazer shows, mas o grande barato é fazer músicas próprias.

 

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