ENTREVISTA COM A BANDA DAZARANHA:

“O nosso desafio já está lançado”

 

Quer saber um pouco mais sobre uma banda de reggae de Santa Catarina? Então confira o bate-papo com a banda Dazaranha. Tudo sobre suas aventuras, convivência, ritmos, planos para o futuro e muito mais...

Por: Ricardo Freddo
Imagens: Divulgação
Edição:
Djatlantyc
(Ricardo Celso)

 

Ricardo: Quais foram às influências da banda Dazaranha?
Gazú: A gente começou numa época que tinha muitas bandas cover, no início dos anos 90, o Dazaranha surgiu em 1992, à gente já está com treze anos de banda. Sempre gostamos de compor, já tivemos outras bandas, mas acabaram as bandas e acabamos nos unindo e montado o Dazaranha, com a proposta de ir contra o lance de fazer cover, e a gente começou a tocar, o público e os amigos foram curtindo e foi aumentando, os botecos onde nós tocávamos ia sempre mais uma galera. Então, a nossa influência ela é bem grande, a gente não tem muito preconceito, nós assimilamos todos os estilos, gostamos de tudo, procuramos ver o lado profissional, o lado que tem valor, o dos músicos que não tem aquela visão de preconceito padronizada, que se o músico faz aquele estilo de música ele é um babaca. Ele é um profissional igual a todos, de repente a forma, o estilo que ele desenvolve não é bem o que você gosta, mas eu acho que a gente tem que respeitar o músico independente do estilo. Então, para a gente foi muito importante assimilar o que todo mundo tem de bom, do lado profissional.

Ricardo: Bob Marley foi uma influência para o Dazaranha?
Gazú: Com certeza, Bob Marley é uma influência para todo mundo, agora, o Dazaranha não sei se é uma banda totalmente reggae, a gente também faz reggae, por exemplo, lá em Curitiba-PR a gente já fez várias festas onde o título era “Venha conhecer a maior banda Surfmusic de Santa Catarina”, a gente já tocou várias vezes em festas de Surfmusic ou festas de surf e tachados como banda de Surfmusic, por ser de Florianópolis. Então, para gente não é tão verdade, quando a gente compõe uma música não determinamos como ela tem que ser, naturalmente com o arranjo que a gente vai fazendo ela vai tomando um formato, embora o compositor já traz ela mais ou menos mastigada, se ele chegar com um balada bonita, a gente vai arranjar, o que importa é ela ser bonita, pode ser um samba, um rock, uma balada. A gente já tem dois sambas gravados nos nossos três discos, para ver que a gente também toca samba e rock.

Ricardo: São bem ecléticos...
Gazú: É, a gente se deixa bem a vontade, até porque pode dar um resultado mais legal. É claro que isso por outro lado às vezes confunde, atrapalha o lado da divulgação, da mídia, por se um produto difícil de se trabalhar, de divulgar, não é aquele produto padrão.
A gente acabou de ganhar ano passado o prêmio claro da revista dinamite, a gente ganhou como melhor álbum pop, é um prêmio nacional da música independente, para você ver que a gente não tem bem um ritmo rock.

Ricardo: O que representa esse prêmio da claro para o Dazaranha?
Gazú: Para nós representa muito, sabemos que isso é mais do que um prêmio é um movimento da música independente, que é feito pela revista dinamite há mais de quatro anos, é uma forma de mostrar, dar uma vitrine para bandas independente, independente entre aspas, porque a gente sempre teve gravadora, só que nós temos a gravadora como mais um parceiro, a gente não conta com a gravadora para fazer tudo pelo Dazaranha. Desde o começo da carreira a gente sempre teve gravadora, mas sempre foi uma forma de parceiro, nós não somos aquela banda que está no topo da mídia, que está sempre na boca da galera, na grande mídia, o nosso trabalho é diferente.

Ricardo: Quais são as inspirações para compor as letras e músicas do Dazaranha?
Gazú: Nós temas atuais, acho que o mundo hoje tem bastante conflitos onde a gente possa extrair esses elementos, e fora isso, a gente mora em um lugar muito bonito que é Florianópolis-SC que também nos dá bastante inspirações para compor, e se não for só o visual, eu acho que o clima de Florianópolis pode nos trazer uma tranqüilidade para a gente compor, de uma forma ou de outra, estar em Florianópolis ajuda, mas nós não se atemos a só isso, embora a gente tenha uma linguagem da nossa cultura, que é a cultura Açoriana. Então, a gente tem um pouco do sotaque que o pessoal estranha, isso também dá uma característica diferente no nosso trabalho.

Ricardo: Como é a banda Dazaranha fora dos palcos?
Gazú: A gente já está com treze anos de banda, a maioria se conhece do bairro, quando a gente não está na estrada tocando normalmente durante a semana a gente está ensaiando ou preparando o novo CD, que é o que a gente está fazendo agora. Fora do palco a gente está ensaiando durante a semana, e fora dos ensaios e palco é cada um para o seu lado, lá tem muitas praias, o pessoal fica com a família e a gente procura até não se ver muito, porque, imagina 16 horas no mesmo ônibus, eu não quero mais ver ninguém, quero ir para casa cuidar das minhas coisas. O pessoal tem atividades, alguns surfam, outros gostam de pescar, tem uns que fazem mergulho, eu gosto de pescar de canoinha, espairecer um pouco.

Ricardo: Que mensagem a banda quer passar para o público em suas músicas?
Gazú: As mensagens são várias, eu acho que a gente tenta equilibrar uma crítica, uma observação, alguma coisa rara que acontece na sociedade, ou até mesmo na nossa cidade e que tem a ver com as outras cidades. Dentro dessa mensagem tem várias coisas e sempre um toque romântico para a coisa também não ficar muito amarga, eu acho que as pessoas muitas vezes vão a uns shows e não querem ver um discurso, não querem ir lá para ver uma palestra, elas querem ir lá para se divertir, pois a semana inteira ela estudou e trabalhou, cada um tem seu problema e ele quer ir para lá para ter mais problema. Então, ele vai a um show para curtir, e quanto mais conseguir fazer aquela pessoa curtir, eu acho que a gente alcança o nosso objetivo e dentro dessa nossa viagem, de toda a composição sonora com violino, a característica do Dazaranha, a gente procura passar algumas informações positivas, para também não ficar só na brincadeira. Tentar reunir esses elementos, uma crítica com diversão, com toque de amor romântico, eu acho que essa mescla é uma coisa difícil, e a gente busca.

Ricardo: Qual é o sentimento da banda ao entrar em um palco e ver os fãs cantando as músicas?
Gazú:É legal, a banda curte tocar, muitas vezes dizem que a gente é melhor no palco do que no estúdio, e toda a banda, empresa e família tem seus problemas e discussões, mas chega antes do palco se tem alguma coisa, aperta a mão e deseja um bom show e vamos nessa, a gente não fica se enrolando, porque se a gente parar por pequenas coisas o negócio não anda bem, mas na hora do show é boa vibração e deixar tudo o que ficou para trás, tem que esquecer a dor de barriga chegar lá pular e fazer a galera curtir e cantar o máximo que puder, é esse o lance que a gente procura levar.

Ricardo: Como é o relacionamento da banda Dazaranha com outros músicos?
Gazú:É muito bom, em Florianópolis tem bandas que a gente é super amigo, tocamos com todo mundo, agora, as bandas Gaúchas a gente não tem um relacionamento muito grande, até porque cada um tem a sua cidade. Há muitos anos a gente vem batalhando para tocar no Sul, mas não é fácil, não é fácil um som tropical entrar no Rio Grande do Sul, eu acho que é mais fácil entrar um rock, pop e Inglês, é mais para esse estilo, embora a gente toque rock também fizemos muito reggae. Eu acho que é difícil a entrada do nosso som no Rio Grande do Sul, a gente já investiu muito, produzimos vários shows no Opinião em Porto Alegre, claro que temos um público, tem uma galera que gosta da gente, mas é complicado, talvez isso crie um universo, uma atmosfera que separa um pouco, não que isso seja o objetivo das bandas, toda vez que encontramos com o pessoal a gente se curte, se cumprimenta, se respeita, quando chega na prática mesmo, a gente se une e fica junto, mas não há um relacionamento constante, mas a tendência desse relacionamento é ir melhorando, não há preconceito entre as bandas, há um distanciamento natural até por causa do estilo.

Ricardo: Quais são os desafios da banda Dazaranha?
Gazú: Há! O nosso desafio já está lançado, o nosso desafio é viver da música, porque é um disco atrás de outro, quando você lança um disco e vai fazer o show de lançamento é a mesma adrenalina do primeiro show, e você começa tudo de novo. A casa fica cheia de novo, o pessoal vem pedir autografo de novo, então isso é um alto e baixo que a gente já se acostumou em treze de banda, mas a estabilidade da empresa que é LTDA e paga imposto, é mais do que música é uma empresa que tem toda à parte de divulgação, é uma grande divulgação para o Brasil inteiro, não é para o bairro, cidade e estado, tem que sempre fazer uma coisa mega, tem que cercar todos os lados para ter um resultado mais ou menos.

Ricardo: Quais foram às inspirações para compor a música “Sou Vagabundo eu Confesso”?
Gazú: Essa é uma música de parceria do Morial o nosso guitarra base junto com Nestor Capoeira que é um mestre de capoeira carioca, é um figura que gravou essa música em vinil nos anos 80, essa música é muito conhecida pelos capoeristas. O Morial pegou e colocou mais alguns versos de público e deu esse formato que a gente conhece. Embora alguns digam que é de um ou de outro, essa música é do Dazaranha em parceria com Nestor Capoeira.

Ricardo: O que representa para o Dazaranha o disco de ouro do segundo CD “Tribo da Lua”?
Gazú: Na verdade a gente veio acompanhado os números, dois anos depois que a gente lançou o CD a gente foi Top 50 e Top 100 em vendagem de disco, concorrendo com discos internacionais no Brasil inteiro. Para nós naquela época foi muito importante, para a gravadora foi muito importante, tinha muita gente atrás de nós e foi o melhor produto da nossa gravadora por um bom tempo, fomos acompanhado os números, chegou no final à gente falou “vamos colocar esse disco na roda”, além de fazer discos, shows e gravar, isso também faz parte da história. Essa placa é importante para todo mundo, por mais que a gente sabia, criou uma prova que a gente batalhou, e isso vai ser importante para as bandas, pois em Santa Catarina o Dazaranha é tido como líder de um movimento, mas que não existe o movimento, na verdade cada banda faz o seu trabalho. Esse disco é mais um apoio para todo mundo, é uma coisa histórica em Santa Catarina.

Ricardo: Nos treze anos de banda Dazaranha, quais momentos foram marcantes?
Gazú: A gente teve bons momentos na nossa vida, tivemos grandes momentos, eu sempre cito um show que o Tim Maia abriu para a gente, quer dizer a gente abriu para ele, mas ele ficou doidão e resolveu fazer o show antes e ficou tudo uma loucura, ele é muito simpático e querido, dei um abração bem legal nele, para mim é meu ídolo numero um, e aquilo foi uma coisa marcante para mim e para o Dazaranha inteiro. Nós tocávamos fantasiados, e ele subiu no palco bem doidão e viu nós todos fantasiados e falou “será que eu estou louco ou caras estão fantasiados”. A gente também tocou no reveillion das luzes para mais de para mais de 50 mil pessoas, são várias coisas e shows que a gente vez que era importante, uma coisa importante foi que a gente foi no gordagogo concorrendo como pior clipe e a gente ganhou, é histórico também.

Ricardo: Quais são os próximos planos para a banda?
Gazú: Nós estamos produzindo um novo CD, que deve ficar pronto no primeiro semestre, com a produção do Ricardo Vidal que é técnico de som do O Rappa. O CD está bem legal, a gente está curtindo bastante essa nova face da banda com a produção do Ricardo que tem uma batida bem atual com o som que ele vem fazendo com O Rappa, ele é responsável por muita coisa no som do O Rappa e isso a gente vai transmitir para o nosso som automaticamente. O ano passado à gente estava para gravar um DVD com a nossa gravadora, mas uma semana antes o lugar do show pegou fogo, e nós contávamos com a prefeitura, com o governo do estado, com a gravadora e a nossa produtora, e isso envolve muita coisa e para reunir todo mundo de novo em outra data e local não deu mais tempo, foi uma coisa triste, mas esse ano a gente está colocando no papel de novo. Agora nós estamos com muitos projetos, que é fazer trilha para filmes de surf, a gente acabou de fazer a trilha para o filme do Caui, ele que é o campeão mundial de insurf, tem um outro filme a história da mormaii, mas é isso ai. Um Abração para o Mr. Pi, ele que sempre ajudou o Dazaranha.

www.dazaranha.com

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