ENTREVISTA COM A BANDA ACÚSTICOS E VALVULADOS:

“É melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso”

“Para começar é uma honra e para terminar é uma grande satisfação”. Assim que nós da equipe do site do Pijama Show nos sentimos quando fomos entrevistar a banda Acústicos e Valvulados, na data em que a banda comemorava quinze anos, Rafael Malenotti contou como tudo começou, a nova formação e seu novo disco...

*Por Ricardo Freddo
Edição: Djatlantyc

Ricardo: Como está sendo essa nova formação do Acústicos e Valvulados?
Rafael: Antes de começar a responder a entrevista eu quero informar aos amigos que hoje dia 25/12/2005 a gente está comemorando quinze anos desde da primeira vez que a gente se encontrou para fazer um som, eu o Paulinho Moica nos conhecemos numa festa de natal em 1990 na casa do nosso ex-baixista o Roberto. E nós estando na estrada quinze anos depois e na mesma data em que a gente se viu pela primeira vez é um lance que para nós é extremamente especial, porque a gente pode celebrar isso estando no palco fazendo aquilo que mais gosta e pelo qual desejou esses últimos quinze anos da vida.
Voltando a pergunta que é sobre a nova formação do Acústicos e Valvulados. É uma formação que sôo muito natural para nós no memento em que o Daniel que era o nosso baixista passou para as guitarras para fazer uma dubla de guitarras com o Moica, e no começo do ano de 2005 teve a entrada do Diego Lopes no baixo e também no piano, ele é um excelente pianista, cantor e compositor, o guri toca de tudo e para nós ele trouxe muita informação musical, trouxe uma energia, um sangue novo, que na real serviu para revitalizar ainda mais o Acústicos.

Ricardo: O quinto disco da banda “Esse Som Me Faz Tão Bem” ele tem um estilo de rock melódico e suas músicas são compostas por várias pessoas. Como surgiu a idéia de ter vários compositores?
Rafael: Na real é o seguinte, fazia seis anos que a gente não gravava um disco em Porto Alegre, os últimos trabalhos que a gente tinha produzido tinha sido em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. Então, depois de ficar seis anos sem gravar na tua própria cidade aonde estão todos os teus amigos que acompanharão a tua história desde o começo para nós foi muito bacana, pois tivemos a oportunidade de receber todos eles no estúdio durante as gravações, e os que participarão com as composições como, o prego da banda “Pata de Elefante”, e o Rodrigo Deltoro que agora tem a banda “Elton”, além do Luciano que já estava produzindo o disco, do “Papel” que é um grande baterista, do Beto Bruno da “Cachorro grande”, Alemão Ronaldo e Tonho Crocco, todo mundo que estava ali dando uma energia bacana para o trabalho isso vez com que a história ficasse extremamente natural, pelo fato dessas pessoas freqüentarem a minha casa a mais de quinze anos, que é o estúdio “Bafo de Bira”. Então, nós gravando de novo em Porto Alegre fez com que a gente pudesse reunir toda a galera de novo, e quem não estava dentro do estúdio executando a sua parte na gravação do CD estava ali pela cozinha, churrasqueira tomando um trago, enfim, fazendo com que a nossa gravação fosse uma das mais bacanas que nós tivemos em toda história, e isso resultou na finalização do disco, quando nós terminamos o disco vimos que a história estava tão bonita e tudo tinha saído de uma forma tão legal, que a gente batizou o disco com o nome “Esse Som Me Faz Tão Bem”, principalmente porque fez muito bem para nós como músicos, como amigos um dos outros e com ser humano.

Ricardo: Como é o relacionamento da banda fora dos palcos?
Rafael: Olha, quem conhece os integrantes do Acústicos sabe que em primeiro lugar a gente é muito agradecido por tudo aquilo que acontece de bom nas nossas vidas, então, isso reflete no modo de como a gente compartilha os momentos juntos, quando a gente está no palco tem uma integração muito grande e quando a gente está fora também. Nos somos muito unidos, não só os integrantes da banda, mas como a rapaziada da técnica, do som, da luz, pode parecer chavão, mas a gente é uma grande família e o fato de a gente estar sempre na estrada faz com que o convívio vá tornado essa relação cada vez mais saudável e mais legal.

Ricardo: Quais são as influências do Acústicos e Valvulados?
Rafael: A gente começou por causa de uma banda que se chamava “Strei Cats”, os caras não tocam mais, mas foi graças a essa banda que o Paulinho Moica e o Roberto acabaram se conhecendo em 1990, e ai passaram o ano todo ensaiando e compondo as primeiras músicas, que eram todas em Inglês com referência nos anos 50 e 60, e ai no natal de 1990 a gente acabou se conhecendo e de lá pra cá nunca mais deixamos de produzir e fazer som. Depois nesses últimos quinze anos a gente foi influenciado por tudo aquilo de bom que já tinha em 1991, como, a explosão do Nirvana ou do Red Hot Chilli Peppers, de lá pra cá tudo o que é do rock e sendo bom anterior ou posterior há 1990 para o Acústicos e Valvulados serviu como aula, a banda sendo de rock para nós fala bastante.

Ricardo: Alguma influência nas bandas brasileiras?
Rafael: Há! com certeza, eu pessoalmente freqüentava muitos shows dos Cascaveletes, do TNT, da Graforreia e da Bandalieira, e para nós essa turma são todos amigos nossos, essa turma serviu para fazer com que os guris na época da gente brilhasse os olhos, pensasse e também seguisse o mesmo caminho.

Ricardo: Que mensagem o Acústicos e Valvulados quer passar em suas músicas?
Rafael: Na real as nossas mensagens são muito claras porque falam do cotidiano e falam de relações entre homem e mulher ou relações de amizade, então se você for avaliar bem as músicas do Acústicos elas transmitem uma alegria de viver e uma história que a gente quer passar adiante, que é poder pensar num som de uma forma legal sem se preocupar com qualquer coisa exterior. Então, se a gente está no palco se divertindo a gente gosta que as pessoas que vão no nosso show estejam pensando da mesma forma.

Ricardo: De alguma forma conta histórias de pessoas...
Rafael: É, por exemplo, quando a gente fala “quero passar um fim de tarde com você”, qualquer um pode se colocar no lugar dessa pessoa e imaginar a pessoa que ama e que quer passar um fim de tarde com ela, ou no caso da mais recente que é a música “Espera”, qualquer um pode se colocar no lugar do personagem na música, que no caso sou eu, que por estar longe da pessoa que eu gosto estou dando tempo ao tempo e esperando que a hora que eu encontrar ela tudo vai ter valido a pena.

Ricardo: Como você se sente sendo o Vice-Presidente do Ministério do Pijama Show?
Rafael: Para começar é uma honra e para terminar é uma grande satisfação, resumidamente é isso, porque todas as terças-feiras ir lá e trocar idéias com o Everton, com o Alemão, com Sergio Gogas, com Diego Floreio ou com quer estiver lá para nós é muito melhor do que se estivesse freqüentando terapia, analise ou coisas assim, que você paga para contar teus problemas para alguém e às vezes nem resolve. Para mim ir terça-feira no Pijama e ficar três horas rindo sem parar é a melhor terapia que qualquer um pode ter, e eu sei que muitas pessoas esperam a terça-feira, porque é o momento da terapia delas também, derrepente essa pessoa passou a tarde toda, ou a semana toda envolvida com trabalho, mas da 00:00 ás 03:00 hs da manhã vai poder sintonizar a rádio Atlântida e ouvir meia dúzia de malucos falando besteira sem parar, mas ao mesmo tempo acrescentando na vida das pessoas.

Ricardo: O que você pensa sobre Everton Cunha o Mr. Pi?
Rafael: Cara, o Everton é uma figura impar, é uma daquelas pessoas que realmente tem uma luz muito forte, são pessoas iluminadas e que transmitem muita alegria. É uma pessoa que você nunca vê de mal com a vida, se ele derrepente está de mal com a vida em nenhuma oportunidade ele faz questão de não mostrar isso. Eu sendo um amigo muito próximo do Everton tenho um orgulho muito grande, de poder ligar para a casa dele para trocar uma idéia e pedir conselho, ele é um cara que realmente sempre levanta o astral de alguém, isso é um dom.

Ricardo: Um sonho do Acústico e Valvulados?
Rafael: A gente não tem um sonho específico, acho que o sonho que a gente tem ele vai se concretizando à medida em que o tempo vai passando, a gente não estabeleceu nenhum objetivo quando criou a banda e somos muito agradecido com tudo aquilo que acontece. Então, na real o nosso sonho já está concretizado, a gente só tem que manter esse sonho vivo enquanto puder, porque se uma hora a gente tem que acorda para terminar isso que a gente está vivendo, que é o sonho de muita gente eu só espero que tenha valido a pena todo tempo que a gente passou junto.

Ricardo: Um comentário sobre a música brasileira, sobre o rock brasileiro que atualmente está passando por uma fase de acústicos...
Rafael: O que nós temos a dizer é que não estamos ganhando nenhum dinheiro com direito autoral sobre o nome de todo mundo que usa o nosso nome de forma indevida (risos), estou brincado. Na real quando surgiu o Acústico há quinze anos atrás nem existia a onda de terem trabalhos acústicos com esse nome e esse formato, mas em compensação é um formato que propícia com que as músicas sejam mostradas numa melodia mais sutil.

Ricardo: Algum recado para a galera do Pijama Show...
Rafael: Olha, a gente sempre pensa que é melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso (risos).

Clique Aqui para VOLTAR nas entrevistas...