ENTREVISTA
COM A BANDA CACHORRO GRANDE:
“O maior presente é tua música estar encantado”
O site Pijama Show foi até a casa do Beto Bruno, vocalista da banda Cachorro
Grande para bater um papo sobre seu novo clipe “Desentoa”, as indicações
a prêmios e é claro que rock in roll...
*Por
Ricardo Freddo
Edição:
Djatlantyc
Ricardo:
Qual é o sentimento da banda Cachorro Grande ao estar concorrendo
a vários prêmios pela revista Bizz?
Beto Bruno: É muito importante essa premiação
apesar que a gente não vai ganhar de maneira alguma.
Ricardo:
A Cachorro Grande está sendo uma das mais votados como melhor
show...
Beto Bruno: Serio, mas onde é que estão
com a cabeça essas pessoas que estão votando, como é que
vai comparar com uma banda gringa tipo, U2, Foo Fighters, desculpe a minha ignorância,
mas eu não sabia de nada.
Ricardo:
Como foi ter gravado o clipe da música “Desentoa”
dentro de um trem?
Beto Bruno: Cansativo, foi o dia inteiro das
8:00 hs da manhã as 2:00 hs da manhã do outro dia e dentro de
um trem, tocar dentro de um trem é muito estranho, aquela coisa andando,
nos tinha que aproveitar a luz do sol e a gente fez várias cenas correndo,
correndo literalmente, mas foi legal depois teve uma festa para todo mundo que
estava participando do clipe, a gente descansou legal. A edição
nós não participamos, porque seria mais um tempo de cansaço,
mas como a idéia era legal e a gente queria passar aquela idéia,
porque era um momento que nós estávamos passando na época,
nós tivemos entusiasmo para fazer, nós estávamos embalados
para fazer porque a gente apostou na idéia, e o diretor era bom.
Ricardo:
Vocês que tiveram a idéia de fazer o clipe dentro de
um trem?
Beto Bruno: Os oito clipes que a gente fez
foi tudo roteiro nosso, a gente procurou o diretor depois que a gente tinha
o roteiro, acho que é para não participar do roteiro. Tudo o que
envolve mais a Cachorro Grande é concebido por nós mesmos, tudo
é realizado por nós, graças a Deus, eu não quero
deixar na mão de ninguém isso.
Ricardo:
Como foi para vocês fazer o clipe só interpretado,
sem cantar?
Beto Bruno: Primeira coisa que a gente queria
era isso, fazer uma coisa diferente, porque o cara dublar é uma coisa
bem hipócrita, o público sabe que a gente não está
tocando, sabe que a gente está dublando, então é um pouco
hipócrita ficar dublando uma coisa que já existe. Uma das idéias
era essa, que eu não aparecesse cantando, foi por gosto mesmo, a gente
poderia ter se quebrado, porque isso é contra, é anticomercial
de certa maneira, as pessoas querem ver o vocalista contando.
Ricardo:
Vocês foram ao contrário disso...
Beto Bruno: É a gente ficou semanas
no top da MTV, isso é inédito de uma banda Gaúcha.
Ricardo:
Qual foi o melhor clipe que vocês já gravaram?
Beto Bruno: O “Lunático”
em preto e branco, com uma câmera parada, era uma câmera de rolo,
foi inspirado no clipe do Bob Dylan que é “Subterranean Homesick
Blues”, também porque foi o mais fácil de fazer. É
a coisa que eu acho mais uma imagem de uma banda de rock, tem que ser preto
e branco, tem que mostrar a banda, e era a época que nós estávamos
aparecendo e tinha que ser uma coisa bem na cara, que se identificasse com as
pessoas, por isso eu acho que ele é o melhor até hoje.
Ricardo:
Os Beatles tem clipes parecidos com esse de câmera parada...
Beto Bruno: Os Beatles, os Stones,
o The Who...., é um clipe clássico de rock para uma banda que
está afim de aparecer, pode ver que os primeiros discos de toda banda
quase tem um clipe em preto e branco. Hoje tem o “Jet”, um ano depois
do “Jet” que é uma banda gringa ela apareceu com um clipe
igual o nosso, não é porque eles estão copiando e porque
nós estamos copiando, isso é uma maneira clássica de mostrar
uma banda de rock. É clássico, a galera fica falando do nosso
terninho “puxa porque vocês usam terno?”, eu falo assim “porque
os outros não usam?”, o rock in roll é assim, não
precisa colocar aquelas bermudas, boné pra trás, camisa de time
de basquete e futebol, aquelas coisas de metaleiro, aquilo lá não
é rock in roll é outra coisa, toda banda de rock é preto
e branco.
Ricardo:
Além das músicas o que vocês puderam aprender
com os clipes?
Beto Bruno: O clipe a gente sabe que é
o maior veículo que tem hoje para uma música, TV’s elas
abrangem mais que uma rádio, pois elas pegam o Brasil inteiro, como nos
anos 80, 70 e 60 tinha o compacto hoje em dia a banda tem com maior veículo
o videoclipe, que mostra imagem e música ao mesmo tempo e como um foi
diferente do outro eu não sei o que a gente aprendeu, a gente estava
aprendendo a mexer com uma coisa e já estava afim de fazer outra, não
tem uma rotina.
Ricardo:
Como está sendo o trabalho após ter gravado o disco
“Pista Livre” e o “Acústico MTV de Bandas Gaúchas”?
Beto Bruno: O DVD do Acústico
MTV funcionou como DVD, como programa na época e foi bem veiculado, mas
a turnê não funcionou, para nós até atrapalhou a
turnê do “Pista Livre”, que a gente da muito mais valor para
o nosso disco do que uma participação num disco acústico,
que até o molde a gente não se sente bem tocando no palco, abraçamos
a calza realmente porque a gente precisa daquilo para nós é muito
importante, mas atrapalhou um pouco a turnê do “Pista Livre”.
O “Pista Livre” por ter sido o primeiro disco a ser lançado
por uma gravadora proporcionou a nós tocar em vários lugares que
a gente não tinha tocado antes, como eu disse é cada dia uma coisa
diferente, mas os caras que estão contigo são os mesmos, a gente
divide hotel, avião, ônibus, eu fico mais tempo com eles do que
com a minha família, daí que o cara fica louco.
Ricardo:
Em questão ao trabalho o “Pista Livre” está
tendo mais trabalho que os outros discos?
Beto Bruno: Por estar tocando nas rádios
e MPB está vendendo mais shows, uma coisa vai alavancando à outra,
em 2005 teve duas apresentações no Jô Soares, que foi importante,
no VMB que foi f!#*, então isso vai gerando shows,
vai tornando a banda conhecida. Tudo o que a gente está fazendo é
para ser colhido, tem uma história dos nossos primeiros fãs que
acham que a gente se vendeu, falaram “pó! Agora que a Cachorro
Grande está fazendo sucesso se venderam”, seria hipocrisia nossa
não querer fazer sucesso, a gente quer viver bem, se um advogado, um
médico é bem sucedido, porque o rockeiro tem que ficar no mundo
anderground? Tem que comer merda à vida inteira? É ignorância.
Ricardo:
E como está a vida pessoal de vocês?
Beto Bruno: Não sei se nós estamos
nos dando bem, mas eu sei que estamos muito feliz, eu sei da história
do rock, eu sei que várias bandas chegam lá muito rápido
e caem na mesma velocidade que subiu. A gente está com a cabeça
no lugar, a gente sabe que isso pode não ser para sempre, sei lá,
que dois ou três discos podem cair, você sabe como é. No
domingo você liga a televisão tem uma banda e no outro domingo
já não sabe quem é, mas como foi tudo devagar na nossa
vida enquanto banda eu acho que a queda vai ser devagar, porque a gente tem
estrutura, isso em qualquer coisa.
Ricardo:
Como é definido o cronograma do show da Cachorro Grande?
Beto Bruno: Funciona meio que no repertório
do palco, a gente tem uma relação aleatória e vai de acordo
com a reação do público, depois a gente vai mudando para
um show não ficar igual o outro, não ficar mecânico. A música
que a gente abre o show é “Você não sabe o que perdeu”,
mas dependendo da reação do público a gente coloca outra
música no segundo lugar, é tudo na hora, a gente faz questão
que seja assim para não ficar automático, não ficar chato,
não enjoar no meio da turnê de tocar as músicas naquela
ordem e para as pessoas que vão em vários shows elas tem o direito
de ver um show diferente.
Ricardo:
O show da Cachorro Grande é bastante espontâneo...
Beto Bruno:
Sinceramente, não sei, não sei porque os shows também não
são iguais, não é sempre daquele jeito, ficaria chato cobrar
de nós que todos os shows sejam aquela porrada, que a gente se quebre
nos shows, no começo da carreira nós quebrávamos tudo,
então a galera cobra da gente até hoje e nós já
passamos disso, e tem shows que não são iguais, tem shows que
mesmo com uma galera agitada e a gente está no quinto show em três
dias o cara está ali se segurando. No palco nós somos os mesmos
caras só depois de um litro de Whisky.
Ricardo:
Qual foi o maior presente que vocês receberam de um fã?
Beto Bruno: Essa pergunta é muito boa,
é complicado porque passam mil pela minha cabeça. Eu acho que
o maior presente é tua música estar encantado, não importa
o lugar do Brasil, estar cantando e a galera cantando junto e você ouve
que a galera está cantando, esse é o maior presente que o público
pode dar, não um especifico, mas se tiver um cantado já está
do c$#*&+%.
Ricardo:
Planos para 2006 para Cachorro Grande?
Beto Bruno: Continuar tocando a turnê
do “Pista Livre”, provavelmente fazer mais uns dois ou três
videoclipes e para 2007 o lançamento do 4ª disco. Vamos funcionar
bastante, vamos se concentrar na excursão, passar por todo o lugar possível,
todos festivais.