ENTREVISTA
COM LUCIANO LOPES O L. POTTER:
“É uma dádiva fazer o que gosta”
Bem humorado, criativo em suas respostas e com uma lata de cerveja na mão,
que Luciano Lopes o L. Potter bateu um papo com o site do Pijama Show, falou
do começo de sua carreira na rádio Atlântida, sua vida pessoal
e sonhos...Quer saber mais sobre o L. Potter? Então leia a entrevista.
*Por
Ricardo Freddo
Edição:
Djatlantyc
Ricardo:
Como começou a sua carreira na rádio Atlântida?
L. Potter: Não foi por acaso,
eu fui convidado para ser redator da rede Atlântida, fez três anos
faz pouco tempo, e numa das férias de alguém do programa Y abriu
uma vaga, ai eu ficava atrás do cara que ancorava e o cara que ancorava
nas férias era o Eron Dalmolin...
Nisso entra na conversa o Eron Dalmolin
Eron
Dalmolin: Deixa eu esclarecer a conversa, ele não
ficava atrás de mim.
L. Potter: E ai o Eron se incomodou com a minha presença atrás dele, se arrepiou, sentiu alguma coisa diferente atrás dele e mandou eu sentar numa cadeira, tinha um microfone ligado na minha frente eu tinha que falar e as coisas foram acontecendo.
Eron Dalmolin: Ou seja, eu sou o responsável (risos).
Ricardo:
Como é o seu relacionamento com os ouvintes?
L. Potter:É o seguinte, é
uma relação um pouco diferente, porque o radialista não
aparece, e quando a pessoa aparece piora a situação, porque a
pessoas que te conhece esperava uma coisa melhor, sempre piora, mas é
uma relação normal, não tem muita frescura, as pessoas
chatas vem falar contigo e as pessoas legais. A gente recebe como qualquer pessoa,
como você recebe, não tem muita frescura, não é uma
relação profissional, é uma coisa bem amadora a gente não
tem regra para isso, somos pessoas iguais as que vem falar com a gente, mas
no resto tudo beleza.
Ricardo:
Hoje, qual um grande desafio para você?
L. Potter: Sabe que eu não
penso nisso, eu nunca fiz rádio e essa é uma das coisas que eu
me do bem, quando você não tem uma responsabilidade para chegar
em alguma coisa você não fica triste quando as coisas não
acontecem e as coisas que acontecem, acontecem por acaso. Eu não tenho
uma grande meta na minha vida, eu quero fazer uma coisa que eu gosto. Eu fiz
jornalismo para trabalhar com futebol, música e cinema, e hoje eu trabalho
com música e o que vir a acontecer, portas que se abrir ou fechar eu
sei que é absolutamente normal, eu não tenho um grande plano na
minha vida, chegar a diretor de programação da rádio, chegar
a MTV...
Eu levo a vida cada dia, uma coisa absolutamente normal, um grande sonho que
eu quero é fazer uma coisa que eu gosto e ser feliz no que eu gosto e
hoje eu consigo fazer isto, é uma sorte que eu tenho.
Ricardo:
Você é formado em jornalismo...
L. Potter: Sou formado em jornalismo,
entrei em 1998 na PUC de Porto Alegre e me formei no inverno de 2002, durante
a faculdade eu estagiei dois anos na rádio gaúcha na área
de esportes, depois que eu me formei na rádio gaúcha na tinha
mais vaga, fiquei cinco meses desempregado e fui em vários lugares, daí
cinco meses depois eu fiz várias entrevistas na Atlântida e tinha
uma vaga na redação e o resto todo mundo já sabe.
Ricardo:
Que momentos você se recorda que foram os mais marcantes na rádio
Atlântida?
L. Potter: Existe uma coisa muito
legal na Atlântida que é ver shows de graça, isso é
uma coisa maravilhosa, se o show é ruim você não pagou e
se o show é bom ai é melhor ainda. Eu tenho momentos marcantes,
como o show do Pearl Jam foi emocionante, teve uma vez que eu apresentei o show
de uma banda, pois a gente apresenta os shows e eu apresentei uma banda que
fui em muitos shows antes de trabalhar na Atlântida, que foi o show do
O Rappa no gigantinho para nove mil pessoas, foi uma coisa emocionante, pois
tinha amigos meus na platéia que iam comigo nos shows, ai eu estava no
palco com nove mil pessoas na minha frente, no ginásio do meu time do
coração e apresentado uma banda que foi muito importante para
mim, isso é uma coisa que eu me lembro até hoje. Depois que eu
apresentei as pessoas viam falar comigo, os meus amigos de antigamente, esse
é um momento marcante. O dia-a-dia também, as pessoas vem falar
que um dia você falou uma coisa na rádio que mudou a vida dela,
críticas construtivas também, é o lado ruim, mas sacode
contigo. Mas tudo bem a gente está botando a cara para bater, quem dá
opinião tem gente que concorda e tem gente que não concorda, mas
existem momentos que sacodem com a gente, esses são alguns, tem vários,
bons para lados legais e para lados ruim também, mas os que eu citei
agora são importantes, porque vieram na minha lembrança.
Ricardo:
Como é o L. Potter fora da rádio Atlântida?
L. Potter:É bom lembrar, o
L. Potter não é um personagem, L. Potter é um apelido que
eu ganhei, a pessoa que vocês escutam lá na rádio sou eu
mesmo. L. Potter é porque meu nome é Luciano e como tinha vários
Lucianos na rádio e me acharam parecido com Harry Potter, ai colocaram
Potter e o L é de Luciano. A minha vida é absolutamente normal,
eu não tenho carro, vou de ônibus, de táxi ou de lotação
para rádio, eu tenho as minhas contas para pagar, ainda pago a minha
faculdade, eu tenho a minha família e divido apartamento com várias
pessoas, a minha vida é igual a sua, a dele e etc...não tem nada
de diferente, a única diferença que tem é que quando a
gente lida com o público que nos ouve a gente recebe eles de braços
abertos, por exemplo, eu dou autografo, eu tiro foto com as pessoas, as vezes
as pessoas gostam de ti, mas as vezes elas te odeiam, pois queira ou não
queira você está num microfone para dois estados você é
uma pessoa pública, mas no resto é absolutamente normal, no momento
em que eu sair do microfone morre o L. Potter, dois dias depois as pessoas esquecem
do L. Potter, é o emprego que eu tenho e que me possibilita falar o que
eu penso no microfone para um público jovem de 14 a 25 ou 30 anos, hoje
eu sou uma pessoa um pouquinho diferente das outras, mas a minha vida no microfone
é apta para informar. Eu tenho medo, gosto de tomar uma cerveja, gosto
de sair com os meus amigos, de jogar uma bola, não tem nada de anormal,
não tem nada de popstar, até nem procuro isso, pois tem pessoas
que procuram isso, eu não procuro, cada dia é um dia não
tem nenhuma frescura.
Ricardo:
Quais são seus sonhos, pretensões e planos?
L. Potter:É fazer o que eu
gosto, acho que é uma dádiva fazer o que gosta e trabalhar com
prazer, depois que você acaba a sua faculdade tua vida fica seria, você
é empregado ou desempregado e você tem que ter dinheiro para viver
a tua vida sozinho. Se eu conseguir ganhar dinheiro, saciar meus desejos consumo
que não são tão grandes e fazer o que eu gosto basta, relaxa,
tendo uma pessoa muito legal ao teu lado, ter amigos para sempre, tomar uma
cerveja, poder viajar bastante, eu tenho esse prazer na minha vida, que é
viajar, e uma coisa que eu quero mesmo é viajar, sair por ai. Na minha
vida eu quero viajar, fazer o que eu gosto, ter amigos, tomar uma cerveja gelada
e isso é importante, a temperatura da cerveja é importante para
mim.
Eu trabalho com jornalismo, e o jornalismo é uma coisa muito ética,
e tentar ser ético até o final dos meus dia, não só
no trabalho como ao todo, eu acho que a ética traz a ética perto
de ti, você vai encontrar pessoas anti-ética, você vai encontrar
pessoas que você não gosta, mas tentar fazer o bem, eu sou um cara
muito tranqüilo, eu não desejo o mal, não faço o mal
e nem quero o mal, eu estando nesse circulo vicioso de bondade para mim está
legal.
Ricardo:
E o Futebol?
L. Potter: Eu sou colorado, mas eu
acho que antes de ser colorado eu amo muito futebol, é um prazer da minha
vida, as vezes que fico pensando “bah! eu queria inventar uma pílula
para esquecer isso”, porque o futebol queira ou não queira e analisando,
é uma coisa que te faz sofrer, porque o teu time muito mais perde do
que ganha, é como se você tem uma namorada que toda hora está
te machucando, é uma paixão que não te apóia, que
não te ama da mesma maneira que você ama, eu podia esquecer do
futebol, ir para um bar, andar de bicicleta, esquecer que existe futebol, mas
é uma coisa que está cravada dentro de mim. Então, hora
e meia fica como uma paixão da minha vida e azar.
Ricardo:
O que você pode concluir das bandas ultimamente?
L. Potter: Eu penso uma coisa, música
como qualquer coisa na vida, tem que ser sincero, sendo sincero as pessoas vão
enxergar que você é sincero e vão acompanhar isso. Eu acho
que musicalmente a gente vive um momento muito rico da música brasileira,
a gente tem vários discos legais, tem muita coisa sincera, mas eu acho
que na parte de letras a gente está num momento de entre safras, a gente
saiu de uma época de Cazuza e Renato Russo. Eu acho que está para
acontecer uma coisa mais sincera nesse lado de letras, não que as pessoas
escrevam coisas que não são sinceras, mas eu acho que precisa
de mais sustância. Mas no resto está tranqüilo, o funck faz
o papel dele que é alegrar, a Reação Em Cadeia faz o papel
dela que é retratar o que as pessoas sentem e a Comunidade faz o seu
papel brincando, cada um faz o seu papel. Eu acho que daqui um pouco vai acontecer
um grande movimento da música, eu posso estar encanado, mas eu sinto
isso.
Ricardo:
E os acústicos...
L. Potter: Os acústicos é
uma coisa da MTV Americana, que a MTV Brasileira se aproveita bastante disso,
são coletâneas gravadas ao vivo onde o artista recupera a carreira
ou até destrói a carreira, é aquela coisa de mercado, a
gente vive numa rádio que faz parte do mercado, a gente também
tem o projeto que é o Tim Atlântida Acústico. O acústico
acalma as pessoas, eu entendo como uma coisa de mercado, queira ou não
queira o artista quer ganhar dinheiro porque é a vida dele. Eu acho legal,
esportivo, é um momento legal que a banda tem que viver, como crítico
de música alguns acústicos eu não gostaria, mas eu entendo
como uma coisa de mercado, nada que me agrida, me agride mais a falta de sinceridade,
o cara que tem uma banda de garagem e entregam um CD para nós, acho que
as coisas acontecem naturalmente e sendo sincero, uma banda que está
dentro de uma garagem e se divertindo naquele momento, isso é uma banda
de música, não interessa se vai tocar numa rádio ou não,
é isso que interessa, aquela hora se divertindo, as bandas que pensaram
assim chegaram, não tem uma regra para isso.
Ricardo:
O que você tenta levar para os programas Y e Chocolate?
L. Potter: Eu tento ser sincero,
ser eu mesmo, não tem que se preparar para o programa, sou eu mesmo e
não tem muita frescura, eu levo sinceridade o resto não interessa,
as coisas acontecem por causa disso, se você começar a mentir ou
criar outra pessoa no ar está ferrado, sou eu mesmo.
Ricardo:
O que representa para você Everton Cunha o Mr. Pi?
L. Potter: O Everton Cunha é
uma asumidade, ele tem as idéias dele, ele tem seus conceitos, é
uma pessoa muito carismática, muito inteligente, uma pessoas que consegue
transmitir tudo isso no ar, aquelas cinco horas de programa ele é o Everton
e o Mr. Pi também, que é o apelido que ele se colocou, ele é
um exemplo nesse sentido de verdade. Tem coisas que a gente discute, tem coisa
que ele pensa e eu não penso, mas a nossa sinceridade nos aproxima muito,
somos muito próximos. O Everton é uma pessoa que eu aprendo muito,
não avaliar os conceitos dele, mas ser uma pessoa sincera, ele é
uma pessoa para ser seguida, não como uma seita ou religião, mas
como uma pessoa real, e o trabalho dele é muito bem feito.
Ricardo:
Como é para você ser o Ministro da Assistência Social?
L. Potter: Eu sou o ministro mais
relapso da história da humanidade, eu nunca mais fui no programa, até
peço desculpa para o Everton, pois a minha carga horária atrapalha,
eu não posso ficar a madrugada com ele pois no outro dia tem que acordar
cedo, mas ele entende. É uma emoção para mim, mas eu sou
um relapso e peço desculpa para ele e para o Pijama Show.